O Feminismo de Marcela Temer

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ATENÇÃO! Esse post contém doses cavalares de sarcasmos.

Pronto, megeras! Não precisamos mais de feminismo. Ou inteligência. Está liberado de vez ser bela, recatada e do lar! Pelo menos é isso que o colunista Gilberto Amaral deixa claro em seu texto no Jornal de Brasília.

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Não precisamos de representatividade no atual governo do Mordomo de Filme de Terror… digo, no atual governo do presidente interino Michel Temer. Mire-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas! Mire-se no exemplo de Marcela Temer! A moça representa muito bem o charme e elegância da mulher brasileira.

Por falar nisso, esse lance de feminismo cansa, não é mesmo? Para quê tomarmos decisões sobre nossas vidas? Vamos deixar a faculdade para quem tem cérebro para isso. Vamos reserva nossos limitados neurônios para cuidar da casa. E se você não tem marido para lavar a cueca, culpa sua. Quem mandou perder tempo com faculdade, pós-graduação e carreira profissional? Devia ter malhado mais e comido menos para arrumar um marido rico para te sustentar. Tsc, tsc, tsc…

E eu aqui esse tempo todo achando que feminismo era outra coisa! Ainda bem que agora aprendi.

Coloque-se em seu Lugar

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Sentados em volta de uma mesa, eles decidiam o que seria feito de suas terras. Homens brancos, na sua maioria velhos e com ideias conservadoras. Eram eles que mandavam e desmandavam para aqueles lados. Às mulheres, se eram belas, recatadas, do lar e mais jovens que eles, tinham o papel de esposas. As não tão recatadas e definitivamente não do lar, sobravam as camas de amante ou secretária.

A única mulher naquela sala era a moça bonita que servia o cafezinho e que fazia os coronéis olharem suas coxas cheios de desejo.

“Elas que se coloquem em seu lugar”, eles respondiam rindo quando alguém questionava quem falava pelas mulheres.

Negros? Gays? Para quê? “Minoria que tem mais que ser reprimida”.

A eles, restava fazer Leis. Ninguém seria contra, afinal, eram os donos daquelas terras, coronéis mais poderosos não existiam.

Essa história poderia ser o plano de fundo de um livro de Jorge Amado, com coronéis velhos e pervertidos, que dobravam as leis a seu favor durante o dia e babavam em cima das meninas dos bordéis durante as noites.

O enredo poderia ser um livro de Jorge Amado, fantasioso e cheio de lições.

Poderia ser fantasia, mas é a nossa realidade.

White Male Privilege | # FreeKesha

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A expressão em inglês White Male Privilege, que significa privilégio de homem branco, é o privilégio que goza (trocadilho intencional) Dr. Luke, o produtor da Kesha.

Em 14 de Outubro de 2014, os advogados de Kesha entraram com uma ação contra Lukasz Gottwald, A.K.A Dr Luke, por abuso emocional e agressão sexual. Quando a notícia veio à tona, o site de TMZ divulgou o seguinte trecho do processo:

Kesha alega que depois de ser forçada a beber com ele, Dr. Luke deu a ela algo que chamou de “pílulas da sobriedade”. Kesha diz que acordou na tarde seguinte nua na cama de Dr. Luke, dolorida, enjoada e sem memórias do que aconteceu.

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Kesha também disse que ouvia de seu produtor que não era muito bonita nem muito talentosa e que sua sorte era ter ele ao seu lado. Ela acusa Dr. Luke de drogá-la, estuprá-la e instigar seus distúrbios alimentares durante o tempo em que trabalharam juntos.

Kesha assinou contrato com Dr. Luke quando tinha apenas 18 anos e desde então está presa em obrigações contratuais que a impedem de trabalhar com qualquer outro produtor ou gravadora. Ela levou dez longos anos aguentando o abuso de seu produtor até finalmente se rebelar e fazer algo que muitas mulheres morrem tentando: libertar-se de seu agressor.

Desde então, Kesha não pode gravar nenhuma música pois elas seriam propriedade da Sony e de Dr. Luke. Ela está impossibilitada de exercer seu ganha-pão. E nada disso se compara com o abuso que ela sofreu durante dez anos.

“Kesha não pode trabalhar com outros produtores ou outras gravadoras para lançar músicas novas. Sem música nova para cantar, ela não pode fazer turnê. Fora das rádios, dos palcos e dos holofotes, não pode fazer publicidade, receber patrocínios ou obter atenção da mídia”, declarou seu advogado, Mark Geragos.

Kesha é mulher cis, branca e rica e ainda assim ela não é páreo para o White Male Privilege.

Lukasz Gottwald, o Dr Luke, também é branco, também é rico, também é cis. Dr Luke é homem. E quando uma mulher acusa um homem de algo, a sociedade machista fica ao lado dele: ontem, 19 de fevereiro de 2016, a juíza da Suprema Corte do Estado de Nova York, Shirley Korneich, deu o veredito a favor do produtor e disse:

“Você está pedindo que a corte invalide um contrato que foi amplamente negociado e é típico da indústria. Meu instinto é fazer o comercialmente razoável” (fonte: Folha de S. Paulo)

Para a Juíza (vamos deixar claro: juíza, mulher), o mais importante é manter a integridade comercial de um contrato do que manter a integridade emocional e física de uma mulher. Imagine o trauma de Kesha em ter que continuar trabalhando ao lado de seu agressor?

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Kesha ao ouvir o veredito. De cortar o coração.

O problema é que Kesha não faz parte do seleto grupo que pode usufruir do White Male Privilege.

Diversas celebridades se pronunciaram em apoio à cantora, incluindo a diva Lady Gaga, que declarou a pouco tempo também ter sido vítima de estupro:

Tem pessoas ao redor do mundo que te amam @KeshaRose. E eu posso diver que estou verdadeiramente em reverência a sua bravura.

Meu coração está com @KeshaRose.

Ao lado de pé @KeshaRose durante este momento traumático, profundamente injusto. Enviem boas vibrações para ela, pessoal.

Enojada por alguém em posição de poder abusando de sua autoridade. Meu coração parte pela Kesha e por todas as pessoas afetadas por essa toxina.

Eu nem sei o que eu faria… Eu só espero que ela encontre paz e um jeito de continuar se expressando sem medo.

Kesha agradeceu o apoio dos internautas:

obrigado por todo o apoio em meus animais de casos legais. eu amo todos vocês. que significou o mundo para mim. xoxo

Kesha, you are not alone! Rest your sorrows with your sisters! We got you, girl!

 

PS: eu não preciso ser meiga o tempo todo

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“Eu sou seu pai e vou te dar um tabefe na cara para você aprender a me respeitar”.

“Esse vestido não vai caber nesse corpo”.

“Esse cabelo tem umas molinhas boas de brincar”.

“Coma menos”.

“Mas você é tão feminina para quem faz boxe”.

“Isso é coisa de mulherzinha”.

“Fale baixo”.

“Esse vestido é muito curto”.

“Você sabe quantas calorias tem nisso aí”?

“Seja simpática”.

“Perdoe”.

“Pare de dar chilique”.

Foda-se!

Namoradeira

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Aí o cara do trabalho te chama de namoradeira. Você se ofende. Passa dos limites e joga uma taça de vinho na cara dele. Então o esquadrão “anti-feminismo” diz que a machista é ela. Ele, coitado, estava apenas brincando.

Han-ran… Brincadeira muito sem graça. Nós, feministas, balançamos a bandeira da libertação sexual. Não existe vergonha alguma em ter prazer na hora que quiser e com quem quiser.

Mas vamos deixar bem claro que a existem comentários apropriados e comentários inapropriados.

Por exemplo, o cara do trabalho dizer ao outro cara do trabalho que ele é um “preto safado” vai ofender? Foi só uma brincadeira. Porque ofendeu?

“Ah! Isso é mimimi de feminazi. Lá vai a outra megera defender a maluca que jogou uma taça de vinho. Ela jogou uma taça de vinho no cara por causa de uma brincadeira!”

Não estou defendo. Ela errou. Deveria ter dado uma baixa nele, mas partiu para a agressão física (pois é. Isso é agressão).

Estou aqui apenas para extravasar minha indignação!

Eu ouvi jornalistas defendendo o que ele falou e, pior ainda, ouvi uma discussão na Globo News (não me pergunte que programa) com 3 jornalistas discutindo quantos namorados fazem uma mulher ser namoradeira.

Se o tal Caçador de Mitos acha que o termo namoradeira é algo que minha avó usaria, a discussão de quantos homens fazem uma mulher ser considerada namoradeira é algo deveria ter ficado nos idos de 1940, e não em 2015.