Plantando Sementes

170111

Ontem eu estava conversando com um vendedor da empresa que eu trabalho. Ele estava contando que um amigo pediu a moto dele emprestada e me disse “Carro e mulher são coisas que não se emprestam”.
“E carro e mulher são iguais?” – perguntei. Ele fez cara que não entendeu minha pergunta. “Carro é um objeto inanimado que não tem vontade própria. Mulher é ser humano e faz o que ela quiser. Cuidado com a frase machista”.
“É uma amiga que sempre diz isso”. – ele respondeu.
“Sua amiga tb é machista. Mulher é coisa?”
“Não, né?” ele perguntou ainda com dúvida.
“Não é. Mulher é gente”.
“Vc tem razão. Vixe… que frase feia que eu falei”.
“Tb acho”
“Mas foi minha amiga quem me disse”.
“Ela tb é machistinha. Mas isso não te dá o direito de ser tb”.
“É…” e ficou quieto uns 5 minutos antes de mudar de assunto.
Plantei a semente. Espero que nasça. 

A Política, o Ódio e outros sentimentos

161112

“Puta! Vá se foder, Hilary”

“Vadia”!

“Enforque essa a puta”!

“Vá se foder, seu preto”!

“Saia daqui, viadinho”!

“Sieg Hiel”! (expressão alemã que significa “salve a vitória”, usada por Hitler)

Isso são apenas alguns dos comentários dos eleitores de Donald Trump que foram capturados em vídeo. Quando saiu o resultado das eleições americana, minha timeline foi inundada de postagens políticas e apocalípticas: será esse o início do fim do mundo? Aqui no Brasil, nossa realidade não é tão distante do preconceito, machismo, homofobia, transfobia e racismo dos americanos.

Nesse momento, eu não me importo muito com sua posição política. Você pode ter sido contra ou a favor do impeachment, contra ou a favor de Trump. Mas a forma como você lidou com tudo o que aconteceu por aqui nesses últimos meses diz muito sobre você.

Hilary, uma mulher branca, foi xingada. Desrespeitada. Donald Trump, que inclusive confessou quando não sabia que estava sendo gravado de agredir mulheres se livrou de tudo dizendo que era “conversa de vestiário”.

Dilma, uma mulher branca, foi xingada. Desrespeitada. E aqui não consigo nem escolher apenas 1 político homem para fazer o comparativo, de tantos que foram perdoados por serem homens (estupradores, drogados, corruptos… como escolher apenas 1?).

Sua posição política deveria ser a menor das questões.

Mas não é.

Deixando de lado o fato dela ter sido a Presidente, o que por si só exigiria algum respeito, Dilma é uma senhora. Uma mãe, uma avó. Você gostaria que falassem de sua avó como falavam dela? Que fizessem adesivo incentivando seu estupro? Que a chamassem de puta? Que escrevessem em revista de circulação nacional que o problema de sua avó era falta de sexo? Então porque considerou ok escrever isso tudo sobre Dilma? Você pode não concordar com as políticas dela. Pode achar que ela foi uma péssima administradora. Mas faltar com respeito, nunca!

Vou ainda mais longe, você não deveria se chatear com o desrespeito a ela porque você tem avó, ou mãe, ou irmã. Você deveria ter se chateado porque você é um ser humano. E seres humanos deveriam ter empatia e respeito a outros seres humanos.

Donald Trump é casado com uma mulher linda. Que já foi modelo, mas hoje é uma bela, recatada e do lar. Igual a Primeira Dama brasileira. Uma mocinha boba, infantilizada pela mídia e que ocupa um papel figurativo num governo retrogrado, machista, homofóbico, racista e elitista.

A eleição americana e a política brasileira têm algo em comum: a raiva generalizada. Lá na terra do Tio Sam, Trump ganhou ao incitar o ódio às mulheres, negros, gays, latinos, muçulmanos e qualquer um que fugisse do padrão de família branca.

Você percebe a semelhança com o quadro político brasileiro? Fugiu do padrão de tradicional família, será odiado.

Eu não gosto da palavra vitimismo, mas arrisco até a usá-la aqui: “as feministas querem acabar com a tradicional família brasileira”; “os gays querem acabar com a tradicional família brasileira”; “os transexuais querem acabar com a tradicional família brasileira”.

A Tradicional Família Brasileira, que sempre esteve no poder, de repente se viu perdendo espaço (na verdade, eles não perderam nada, mas a gente conquistou alguns espaços que eram exclusividade deles). É preto e favelado entrando na universidade. É mulher sendo chefe de estado. É gay ocupando cadeira no senado. “Eles estão tirando o poder da gente. Vamos ser dominados por mulheres, por negros, por gays, por nordestinos” (aliás, o que o Sul faz com os nordestinos é o que os EUA fazem com latinos).

Sabe que outra sociedade teve um pico de ódio generalizado como esse? A Alemanha Nazista. Bastou que um homem que soubesse manipular as pessoas através do ódio tomasse o poder para que judeus, ciganos, negros e mulheres passassem a ser considerados seres menores.

Não é à toa que o movimento neonazista está crescendo.

Só que lá nos EUA a gente ainda entende, mesmo que não concorde. Aqui no Brasil? Em um país tão miscigenado, com uma mistura tão bonita? Pregar a pureza de raças chega a ser irônico.

O momento político mundial é um whitelash: uma reação da parcela branca da população aos movimentos de empoderamento da parcela não branca. A Europa vive a crise dos refugiados, com brancos gritando para qualquer um que não pertença a sua “raça” para “voltar para a África”. Os eleitores de Trump gritaram “construa o muro”, para manter os latinos fora dos EUA. E Marcela Temer deixou claro que no governo atual, o lugar de mulher é em casa cuidado dos filhos.

Está tudo conectado. Os países são diferentes. Os governos são diferentes. Mas quem quer nos mandar de volta de onde saímos esquece que foram eles que nos procuraram em primeiro lugar. Foram os Europeus que decidiram explorar a África, o Oriente e as Américas. Foram eles os responsáveis por nos mostrarem que eles estavam ali. Foram eles os primeiros imigrantes. Agora não dá mais para voltar atrás.

Foram os homens com sua sede de poder e guerra que forçaram as mulheres a entrarem no mercado de trabalho durante a Segunda Guerra Mundial. Ou a gente trabalhava, ou não haveria mão de obra, já que os homens estavam no front de batalha. Agora não dá mais para voltar atrás.

Seja sua visão política liberal ou conservadora ou sua visão econômica capitalista ou socialista, o que o mundo precisa nesse momento é tolerância. Não dá mais para voltarmos atrás e mudar o que já foi. O que precisamos agora é caminhar para frente e em direção a um futuro melhor.

Como diria Pitty, “o negro não vai voltar para a senzala nem a mulher para a cozinha nem o gay para o armário”. Nós estamos aqui e vamos continuar aqui. O ódio não vai vencer.

Não vamos nos calar

161028

A aula de spinning estava a todo vapor!  O suor escorrendo, as pernas doendo. Tudo como deveria ser. Aí a professora gritou “aumenta a carga e joga o quadril para traz”.

Pronto. Acabou o sossego.

Um macho alpha deu um grito “Ai, delicia. Vem, delicia”. O que se seguiu foi uma série de gritos pornográficos.

A turma que até então dava gritos animados quando a professora mandava aumentar a carga ou a velocidade ficou muda.

Depois de alguns minutos com o macho alpha gritando, eu disse em alto e bom som “Esse cara deve ser frustrado sexualmente”. Claro que não foi suficiente para ele parar. Ele simplesmente ignorou meu comentário e continuou deixando as mulheres da turma constrangidas. Em certo momento da aula, a professora dava uma risada sem grança antes de dar o comando e apenas dizia “quadril”.

Quando cheguei em casa e contei o ocorrido, ouvi de minha mãe: “não faça isso. Você não sabe quem ele é. Ele poderia ter te dado uma resposta que você não ia gostar ou ter te agredido”.

Agora eu pergunto: alguém, alguma vez, disso a um homem “não faça isso. Ela pode te dar uma resposta que você não vai gostar”? Não, né?

Pois é.

Apesar de ter sido criado feminista, com minha mãe me dizendo para não esperar por homem para resolver meus problemas, eu também fui criada no paradoxo de não responder para “me preservar”.

Então quando eu tinha 18 anos e um desconhecido disse no meu ouvido, no meio da rua, que “queria chupar esses peitinhos” ou o colega da faculdade que eu nem conhecia me disse “queria te pegar de quatro”, eu não respondi. Apenas ignorei.

Mas ignorar foi uma agressão a mim mesma. Foi engolir a seco o assédio que até então chamávamos de cantada, como se dizer que o cara estava “cantando” reduzisse a agressão.

Essa geração de homens que cresceu com mulheres caladas precisa aprender que essa época já acabou! A gente vai falar, sim. A gente vai reclamar, sim.

Minha prima outro dia mandou um cara que a assediou “tomar no cu”. Ele ficou chocado e foi embora. As mulheres mais velhas da família também ficaram, porque elas não aprenderam a responder. Minha geração descobriu que responder tem um efeito muito melhor que calar. Porque quando a gente cala, eles acham que está tudo bem. Mas não está. Era só medo mesmo. Medo porque vocês, homens, são mais fortes e bater em mulher não era um bicho de sete cabeças. Mas essa época já acabou.

Eu sei que a gente ainda vai apanhar muito (metafórica e literalmente) antes das coisas melhorarem, mas a gente não vai ficar calada! Nunca mais!

Setembro Amarelo

160930

Pode o suicídio ser uma escolha quando ele é a única escolha disponível?

Encarar a própria vulnerabilidade e se colocar no lugar de quem faz o impensável é um desafio. Quando pensamos no suicídio, tendemos a racionalizar e nos afastar do estado mental de uma pessoa que tira a própria vida.

Como poderia o suicídio ser a única alternativa? Muitas vezes, preso na bruma do desespero, não é possível enxergar nenhuma alternativa que não seja “deixar de existir”. E quão desconfortável é se deparar com um momento em que não vemos nenhuma alternativa para sair de uma situação extrema de dor (física, psicológica ou as duas).

É por isso que movimentos como o Setembro Amarelo são tão importantes. A melhor maneira de ajudar um suicida em potencial é lançar luz sobre o assunto.

O suicídio é um problema de saúde pública mundial e estima-se que mais de 800 mil pessoas se matem todos os anos. No Brasil, são 33 suicídios por dia: 1 suicídio a mais ou menos cada 43 minutos!

A Depressão, o Estresse Pós-Traumático e Transtorno Bipolar são os transtornos mentais que mais se relacionam com o suicídio. Mas seria errado presumir que todas as pessoas que sofrem desses transtornos têm intenções suicidas: 90% dos suicídios foram cometidos por pessoas que possuíam algum transtorno mental, mas apenas 2% das pessoas diagnosticadas com transtornos mentais cometem suicídio.

Outra relação feita é que é mais comum o suicídio ocorrer em países mais ricos, entre homens e entre pessoas mais velhas. Porém essa também é a principal causa de morte no mundo entre meninas de 15 a 19 anos. Pessoas com histórico de abuso físico, psicológico ou sexual e pessoas que pertencem a grupos discriminados também são fatores de risco ao suicídio.

O diagnóstico de um suicida em potencial é mais complicado do que possa parecer. Pelo menos a um leigo. Mas existem sinais que podem nos ajudar a identificar.

O mais obvio é que pessoas que têm a intenção suicida irão falar sobre isso. Elas irão dizer que estão “cansadas de tentar”, que “precisam pôr um fim nisso”, que “vão desistir”. E o que precisamos parar de dizer urgente é que “é drama”. Muitas vezes é um pedido de ajuda ou um aviso que deve ser levado a sério.

A primeira coisa que precisamos entender para ajudar um suicida em potencial é que a elasticidade de nossa percepção impacta diretamente a nossa saúde mental. Quer tenhamos algum transtorno mental ou não, nossas escolhas serão definidas por quão expendida ou contraída a nossa percepção se encontra. Num momento de dor ou de trauma, nossa percepção contrai-se apenas aquele momento. Não existe a possibilidade de pensar a longo prazo. O que importa é o aqui e o agora. O que importar é pôr um fim na dor.

Nesse momento de dor intensa, racionalizar o que a pessoa está sentindo não ajuda. O que irá ajudar é ter empatia, acolher a pessoa em sua dor, ouvir sem julgar e estar presente. Outro ponto importante é procurar a ajuda profissional.

Pesquisando para escrever esse post, me deparei com o depoimento de Mark Henick, que quando garoto tentou se matar diversas vezes, sendo resgatado por professores na escola e até por estranhos na rua. Seu depoimento é impactante, mas uma frase se destacou (além da primeira frase desse post, que é dele): “só mais um dia. Eu consegui passar por hoje. Talvez consiga só mais um dia”.

Essa era a frase que ele repetia para si mesmo quando tentava se convencer a não tirar a própria vida. E sabe o que ajudou Mark a desistir de se matar e viver? Falar sobre o assunto.

Então, se você pensa em cometer suicídio ou conhece alguém pense, fale sobre o assunto. Sem julgamento e sem medo. Conversar ajuda a não nos sentirmos sozinhos.

E se não tiver ninguém com quem se sinta à vontade, o Centro de Valorização da Vida conta com pessoal especializado para ouvir e aconselhar. Ligue 141 ou acesse o site deles aqui.

Meu nome não é “Princesa”

blog_empada

Querido atendente da Empada Brasil,

Eu não sou princesa. Nem gatinha. Eu sei, eu sei. Você achou que estava sendo simpático. Achou errado.

Como você trataria a senhora de 80 anos, de cabelo branco e com cara de avó? Ou como você tratou o homem que chegou logo depois de mim? É assim que quero ser tratada.

Eu tentei te mostrar que não estava gostando da forma como você falou comigo. Que quando disse que não queria beber nada, queria apenas pagar minha empada e sentar por 5 minutos antes de ter que correr para o próximo compromisso. Não queria passar 5 minutos com você tentando me convencer a comprar refrigerante (que eu odeio) ou suco de caixinha (que eu também odeio). Nem queria que você dissesse que estava querendo ser meu amigo porque comer empada sem beber nada iria me entalar (à proposito, seu gerente sabe que você fala isso da empada?). Também não gostei quando eu te pedi para passar logo meu cartão pois eu estava com pressa e você me disse que estava apenas tentando ser educado e eu não precisava ser grossa com você.

Eu fui paciente. Até demais.

Quando minha amiga chegou, você também não precisava repetir tudo para ela. E quando eu te respondi, você não deveria ter me perguntado se eu “tomei ar”. Foi uma grande sorte sua ela ter interferindo e ter dito que você não queria me ver “pegar ar”.

Sabe o rapaz que chegou depois de mim? Você o tratou com gentileza, mas foi rápido, eficiente e não o irritou. Ele até olhou para mim com um expressão que não sei se foi pena ou surpresa pela minha paciência.

Você me chamou de grossa e mal-educada, mas provamos que o grosso e mal-educado era você. Você me chamou de princesa e gatinha e só faltou soltar um “sua linda” para completar a trilogia machista de seu atendimento. Eu reclamei, mas você, como todo homem machista, tentou jogar a responsabilidade de sua postura para mim, me chamando de grossa, mal educada e mais um monte de baboseiras que fiz questão de não ouvir. Usei toda a força que adquire durante minha vida para não brigar. Não porque eu tive medo de você, mas porque eu tinha apenas 5 minutos para comer alguma coisa e não gosto de comer quando estou aborrecida, então preferi te ignorar.

Você é o motivo pelo qual eu não voltarei mais na unidade que eu fui ontem.

Querido atendente da Empada Brasil, você é um imbecil!

 

*** Atualização: 1 hora após postar esse relato no site nacional da Empada Brasil, a dona da unidade onde isso aconteceu, Adriana, entrou em contato comigo e pediu desculpas pelo ocorrido. Disse que irá conversar com o atendente e verificar com sua sócia as providências que irão tomar.

Machismo Olímpico

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Não estou acompanhando as Olimpíadas. Não porque eu não quero, mas meu horário é bem apertado. Vou trabalhar às 8hs e depois do trabalho ainda vou para academia ou aula de dança, dependendo o dia da semana.

Mas uma coisa tem me chamado atenção: como as mulheres parecem reinar absolutas nas provas.

Meu feed de notícias do Facebook está recheado delas. Fala-se na jogadora Marta, da seleção brasileira feminina de futebol. Em Rafaela Silva, ouro na prova de Judô. Do pedido de casamento da voluntária Marjorie Enya para a jogadora de rúgbi brasileira Isadora Cerullo. Tem ainda as ginastas Lee Eun-Ju, da Coreia do Sul, e Hong Un Jong, da Coreia do Norte, que quebraram o tabu e fizeram um selfie juntas durante o treino.

Essa definitivamente parece ser a Olimpíada das Mulheres.

Mas nem tudo são flores e medalhas…

A Olimpíada das Mulheres também tem seu lado negro. Mesmo quebrando recordes, como a nadadora húngara Katinka Hosszu, que bateu o recorde mundial dos 400 metros, a imprensa ainda protagoniza os homens, deixando as mulheres como meras figurantes de suas próprias histórias.

Quando Katinka subiu ao pódio para receber sua medalha de ouro, a televisão mostrou seu treinador (e marido), como de costume. O comentarista da NBC, Dan Hicks, fez um comentário infeliz e machista: “está aí o homem responsável”, retirando de Katinka o mérito de sua vitória.

Dan Hicks deu uma declaração ao Chicago Tribune depois de ter sido duramente criticado nas redes sociais, dizendo que é impossível falar sobre a vitória da nadadora sem mencionar seu treinador. De fato, um treinador tem crédito por melhorar a performance de um atleta, mas eu não me lembro de ninguém ovacionando o treinador de Michael Phelps…

Por falar no Chicago Tribune, o jornal foi o centro de uma gafe quando classificou Corey Cogdell, ganhadora do bronze na categoria de tiro ao prato, como “esposa do jogador do Bears”. Seu nome, para a publicação, não era importante. Muito menos o fato dela ter conquistado a mesma posição nas Olimpíadas de Pequim. Mas o fato dela ter “enlaçado” o jogador americano do Chicago Bears, Mitch Unrein? Digno de reconhecimento. #sqn

Mas o lado mais negro das Olimpíadas, até o momento, ficou reservado para Joanna Maranhão. Após a nadadora brasileira ser eliminada nos 200 m borboleta, seu Facebook foi invadido com mensagens de ódio, chegando ao cúmulo de pessoas desejando que ela fosse estuprada. A nadadora revelou em 2008 que sofreu tentativa de estupro de um ex-treinador, o Eugênio Miranda, então o ler os comentários em sua fanpage teve um sabor ainda mais amargo para a atleta.

Esses são apenas 3 entre inúmeros casos de machismo durante o evento Olímpico. Ainda somos retratadas pela mídia como “mulheres bonitas, mas que são boas jogadoras”, “beldades do esporte” ou “cardápio variado”. Basta fazer uma pesquisa no Google para se deparar com manchetes como essas.

E cabe a nós, mulheres, se rebelar e mostrar o erro. Reclamar faz parte de nossa luta diária.

Até que o dia os atributos físicos sejam menos importantes que nossas habilidades.

Existe “Peleumonia”

blog_doutor

Sabe aquele cara que passou a mão na moça e gemeu em seu ouvido quando ela estava voltando para casa depois do trabalho?

Ele também não teve a intenção de ofender, doutor.

Sabe aquele cara que reclamou do favelado que entrou na Universidade Federal?

Ele também não teve a intenção de ofender, doutor.

Sabe aquele outro cara que fez piada do gordo no barzinho?

Ele também não teve a intenção de ofender, doutor.

E aquele outro que soltou uma piada homofóbica para o colega gay do trabalho?

Ele também não teve a intenção de ofender, doutor.

Sabe aquele cara que ridicularizou o outro que falava “peleumonia”?

Ele também não teve a intenção de ofender, doutor.

E aquele outro que disse que nordestino é tudo preguiçoso?

Ele também não teve a intenção de ofender, doutor.

É que mundo está chato mesmo.

Chato para vocês que estão recebendo bronca por algo que até outro dia era “normal”.

Chato para vocês que estão sendo forçados descontruir toda uma cultura de humilhação.

Chato para vocês que estão sendo forçados a entender que todo ser humano merece respeito.

Chato para vocês que estão vendo mulheres, gays, trans, gordos, nordestinos, pretos e favelados se empoderarem.

Chato para vocês que tem uma autoestima tão baixa que precisam rebaixar outra pessoa para se sentirem melhor.

Chora, não. Aprender dói mesmo.

Mas depois você irá se tornar uma pessoa melhor, doutor.

Nosso “mimimi” é nossa maneira de melhorar o mundo.