Representar vs Representatividade

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Depois de meu último post sobre a campanha da Vogue Brasil para a Paraolimpíadas, algumas pessoas têm me abordado para dizer que não viram nada demais na ação da revista. Que é hipocrisia reclamar porque a foto gerou uma enorme visibilidade para o evento desportivo. Ou seja, sucesso da Vogue, certo?

Hoje me marcaram num vídeo onde a Cléo Pires fala, irritada, sobre a repercussão negativa da campanha. Finalmente eu entendi porque as pessoas não estão vendo nada demais na campanha da Vogue.

O problema está justamente na fala de Cléo Pires:

“Eu acho que as pessoas não entenderam que eu e o Paulo estamos representando 2 atletas paraolímpicos”.

Cléo, meu amor, vem cá. Senta aqui com a megera que eu te explico. As pessoas entenderam que vocês estão representando 2 paraatletas. Esse é o problema. Não queremos ver ninguém sendo representado. Queremos ver representatividade.

“Se vocês não gostam porque você são hipócritas, esse é um problema de vocês”.

Mas uma vez, queridinha, venha cá, senta aqui juntinho. Hipocrisia é dizer “vocês são bem-vindos aqui na minha casa. Podem comer à vontade, tá? Mas entra pela porta dos fundos e fica lá dentro, na cozinha. Eu sei que o evento é para vocês e estamos querendo aumentar a visibilidade de sua causa, mas é que meus convidados vão ficar incomodados de ver vocês. Nada contra, sabe? Só que eu só quero gente perfeita na sala. Mas não se preocupem. Contratei uma modelo bonita que vai usar uma prótese falsa. Gente, o evento foi um sucesso. Arrecadamos bastante dinheiro para vocês. Toma aqui. Pode ir embora que agora todo mundo está me vendo como uma pessoa consciente. Ah, não, espera. Ainda tem gente esperando o elevador. Daqui a pouco vocês saem, ok? Obrigada. De nada.”

Ok, nem todo mundo pensa, né, queridinha? Então vamos à uma aula bem didática?

Representar, o verbo, é reproduzir uma imagem, um símbolo ou ainda encenar. É fingir ser algo que não é. Você, Cléo, fez isso. Aliás, você faz isso muito bem, como atriz.

Representatividade, o substantivo, é dar a alguém ou a um grupo a oportunidade de se expressar por si mesmo.

Representar é verbo. Do ponto de vista semântico, verbo é a noção de ação. Já representatividade é substantivo. Substantivo é essência. Você pode representar o portador de necessidades especiais lindamente, Cléo. Mas a não ser que se torne uma, você não terá a essência e não entenderá a causa na sua profundidade. Eu também não entendo. E por isso não me dou ao direito de tirar deles a oportunidade de falar por eles mesmos.

A ideia da campanha foi, sim, ótima! As Paraolimpíadas precisam mesmo de mais visibilidade. O problema é que a execução foi péssima!

Agooooooora, imagine se depois de todo esse bafafá a Vogue posta uma segunda foto, exatamente igual a primeira. Só que dessa vez, com os atletas que emprestaram suas deficiências (não gosto dessa palavra… tem algum termo melhor que eu possa usar?) para Cléo Pires e Paulinho Vilhena e a legenda: “Se tivéssemos postado apenas essa imagem, você teriam dado a mesma atenção?” Seria fodastico!

Para finalizar, vou deixar Leslie Jones explicar a importância da representatividade. Essa aula é bem melhor que a minha.

Vamos dizer juntos: Re-pre-sen-ta-ti-vi-da-de

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Sabe aquela história bem hollywoodiana da menina com uma voz de causar inveja que não se encaixa no padrão de beleza? Daí resolvem colocar uma mulher lindona dublando sua voz? Imagine se você soubesse que a história é real? Que pegaram a foto de uma paratleta do tênis de mesa e fundiram com a foto de uma modelo famosa. Aí aproveitaram e fundiram a foto de um paratleta do vôlei sentado com um ator famoso. Criaram uma campanha bonita e jogaram nas redes sociais.

Pode parar de imaginar porque essa história é real!

#SomosTodosParalímpicos: para atrair visibilidade aos Jogos Paralímpicos e ressaltar a relevância dos paratletas brasileiros no panorama do esporte nacional, @cleopires_oficial e Paulo Vilhena (@vilhenap) aceitaram o convite para serem embaixadores do Comitê Paralímpico Brasileiro e estrelam a campanha Somos Todos Paralímpicos. Concebido pelos atores com o apoio do @ocpboficial e dos atletas, com direção criativa de @ccarneiro, fotografia de @andrepassos e beleza de @carolalmeidaprada, o anúncio traz Cleo na pele de @bruninha_alexandre, paratleta do tênis de mesa, e Paulo, de @renatoleite10, da categoria vôlei sentado. Os ingressos estão à venda em ingressos.rio2016.com. Vogue mostra os bastidores do shooting com o quarteto no link da bio. #voguenasparalimpiadas

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A imagem mescla os corpos de Cléo e Bruna Alexandre, paratleta do tênis de mesa, e Paulinho Vilhena e Renato Leite, da categoria do vôlei sentado. (pausa para o suspiro…)

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Que bola fora, hein, Vogue? E logo quando o mundo inteiro está batendo na tecla de que representatividade é importante. O que vocês estavam pensando quando decidiram colocar Cléo Pires e Paulinho Vilhena como modelos com deficiência?

Sabe o recado que vocês passaram: “nós apoiamos as Paraolimpíadas, mas não queremos vocês na nossa revista. Somos a favor da representatividade, mas nem tanto”.

Vocês são capazes de fazer bonito. Olha só a foto da Cléo Pires com Renato Leite! É lindíssima.

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A ideia da campanha é bem legal. É aumentar a visibilidade da Paraolimpíadas, que acontece entre 7 e 18 de setembro, no Rio. Mas, como diria minha avó, de boas intenções, o inferno está cheio! E não adiante se justificar como vocês fizeram no Instagram.

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Exatamente, Vogue! Vocês apoiam a causa, mas não nas páginas da sua revista ou nas suas redes sociais. Esse espaço é para a perfeição photoshopada!

A moda precisa entender de vez de representatividade! Usar modelos reais. Vai falar sobre moda da terceira idade? Usem mulheres mais velhas. Vai falar sobre a dificuldade de achar maquiagem para peles negras? Que tal usar modelos negras de vários tons de pele e não apenas negras mais claras? Vai falar sobre o plus-size? Favor usar mulheres plus size de verdade! Vai falar sobre atletas paraolímpicos? Usem a droga dos atletas paraolímpicos! Qual a dificuldade de entender isso?

 

Atualização: acabo de ver essa postagem. Quem diria que a Playboy daria uma aula de representatividade?

 

Atualização II: Revista Tpm, eu te amo!

Luto

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Eu nem sei o que dizer.

Luto.

Luto pela igualdade entre gêneros.

Luto para poder sair à noite sem medo.

Luto para não ser assediada na rua.

Luto pelo direito ao meu corpo.

Eu nem sei o que dizer.

Luto.

Luto pelas mulheres mortas pelo machismo todos os dias.

Luto pelas mulheres vítimas de agressão física.

Luto pelas mulheres vítimas de agressão sexual.

Luto pela adolescente estuprada por 33 animais.

Eu luto.

Eu estou de luto.

Eu nem sei o que dizer.

Da “periguete” ao “viado”

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Em época de “como o mundo está chato”, é bom mesmo ter cuidado com o que se fala. Ontem estava ouvindo o podcast dos Criatônicos sobre a influência do politicamente correto na publicidade.

Os três publicitários baianos fizeram bonito, defendendo a inclusão e o fim do preconceito e do machismo nas agências e nas campanhas publicitárias. Mas teve uma frase dita por um deles que ficou entalada. O Diogo Francischini estava falando sobre um spot de rádio ridículo da Skol que ele considerou de um machismo tão grande, que ele denunciou a campanha. Mas lá no meio da fala dele, ele disse algo como “o cara bate na mulher e depois vem a periguete com voz sensual”…

E como eu sou eu, me vi obrigada a escrever o seguinte comentário:

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A resposta deles, apesar de aparentar aceitar o que eu comentei, na verdade é cheia de problemas e eu quero usar essa oportunidade para fazer uma reflexão. Para o pessoal do Criatônicos (pelo menos o que respondeu meu comentário), viado é pejorativo. Periguete não.

Mas porque ele pensa assim? Porque ofender uma mulher é normativo. Ofender um homem, não.

Vamos pensar: quais são os xingamentos mais comuns a um homem? Filho da puta? Agride a mãe dele, não ele. Corno? Agride a esposa dele. Viado? Ah! Viado agride ao homem. Viado é o homem passivo, que só dá, que não recebe.

Será que o palavrão “viado” agride os homens porque os coloca numa posição similar ao lugar que eles acham que as mulheres devem estar? “Viado” é misógino, porque “viado” é ir de encontro com a heteronormatividade (eita, que eu falei foi bonito agora!), é ser mulherzinha e ser mulherzinha é feio!

Agora vamos ver quais são os xingamentos mais comuns a uma mulher: puta, vadia, piranha, vaca, cachorra… Todos eles ofendem o comportamento sexual feminino. O xingamento tem como objetivo agredir e humilhar o alvo do palavrão. O xingamento é uma arma de controle social: “tem mulher pra casar e mulher pra fazer ousadia”. Logo, ofender a mulher “casta” a equiparando a mulher que se libertou das amarras do machismo e apresenta um comportamento sexualmente livre (ou um comportamento sexual igual ao do homem) é retirá-la de seu direito de ser respeitada e privá-la do direito ao amor.

E ainda tem outra questão: a agressão à mulher. Uma mulher que sofre agressão e fica com agressor não é periguete. Procurem relatos de mulheres que saíram de relacionamentos abusivos e vocês irão entender o quão difícil é sair daquele lugar. A mulher da propaganda que era um despertador e que apanhou não poderia nunca ser tratada como periguete. Ela é a mulher que tem medo de ir na Polícia. Ou que quando vai, é maltratada pelos Policiais e pelo Delegado. Chamar a mulher da propagando de “periguete” é culpabilizar a vítima.

Apesar de tudo isso, confesso que fiquei muito surpresa com o tema escolhido pelo trio. Mostra que existe, sim, um avanço sendo feito na publicidade e apesar deles terem dito que o machismo não é exclusivo das agências (e não é mesmo! Seria lindo se fosse), a gente sabe que o ambiente de agência é extremamente machista. Eu sou publicitária e apesar de nunca ter trabalhado em agência, eu acompanho os bastidores.

Mulher dentro de agência geralmente está no Atendimento (e tem que ser bonita, para vender melhor) ou na Produção. Criação ainda é território predominantemente masculino.

Mas voltando a questão: os meninos se esforçaram ao escolher um tema que poderia dar uma merda federal. Mas erraram em dois pontos: o primeiro foi não terem convidado uma publicitária com experiência em agência para participar. Eles argumentaram que até tentaram e não encontraram. Acho pouco provável que tenham de fato tentado. Conheço excelentes publicitárias feministas que trabalham em agências de Salvador e que dariam muito pano para manga nesse debate. O segundo, é que eles não seguiram a cartilha que rezaram. Em um determinado momento, um deles disse “se alguém se ofendeu com uma peça que fizemos, tínhamos que ter visto que isso poderia acontecer”, mas no momento que eu sinalizei o erro ao chamar a mulher de periguete, eles apenas descartaram meu comentário com um simples “periguete não é ofensivo”. Sim, meninos. Periguete é ofensivo.

Eu sei que ainda temos um longo caminho pela frente, mas tenho fé que a gente chega lá!

Big Brother Brasil em época de Feminismo

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Se você, como eu, não acompanha o programa mas tem Facebook, deve estar ciente da polêmica que está rolando nas redes sociais sobre o Brother Laércio de Moura, o tatuador de 53 anos de idade, que disse que usa álcool para facilitar o sexo com menores de idade e que tem “duas namoradas”, de 17 e 19 anos.

A bomba estourou quando uma das Sisters se negou a dormir ao lado do cara, que estava deitado na cama só de cueca. Ela o chamou de pedófilo e mandou que vestisse uma roupa. A produção se omitiu. Os demais Brothers da casa se omitiram (ou pior, disseram que o que cara fazia fora da casa era problema dele). Mas no quarto em que ele dorme, a luz é mantida acesa durante a noite e já pipocam nas redes sociais teorias de que a própria produção estaria com medo do que ele poderia fazer.

Eu não vim aqui acusar o Laércio de nada. Não precisa. Basta fazer uma pequena pesquisa na internet ou entrar nas páginas sobre feminismo das redes sociais que você vai achar diversos textos o acusando, denúncias de meninas dizendo que já o “namoraram” – tem até uma menina que disse que tinha 13 anos quando namorou com ele. Sem contar os diversos prints da página do Facebook do brother, que aparentemente além de pedófilo e machista, curte páginas de armas, supremacia racial e Neonazismo e a fanpage da Valentina, a participante do “MasterChef Júnior” (Band), de 12 anos que foi vítima de comentários de cunho sexuais.

Não vim fazer nada disso aqui. Vim, na verdade, dizer que a Produção do programa já sabia de tudo isso quando o colocou dentro da casa. Seria muita ingenuidade achar que a Rede Globo não sabia quem era o Laércio quando ele entrou no BBB.

Você já procurou saber como é o processo para se inscrever no Big Brother Brasil? É necessário preencher uma ficha enorme e passar por uma entrevista que vai traçar seu perfil. Eles vão procurar saber de tudo: histórico familiar, se já usou drogas, se já foi diagnosticado com algum problema mental grave (só grave. Porque um problema mental light pode) e qual seu histórico sexual. Até a idade que perdeu a virgindade eles vão questionar.

Então pense bem: você realmente acha que a Rede Globo não sabia? Claro que sabia!

E porque será que eles aprovaram o participante?

O Big Brother Brasil é uma franquia falida e que a cada ano perde mais público. Quando começou, em 2001, eu assisti inteiro. Em 2002 já havia perdido um pouco do encanto. 2003 veio e passou e só liguei a TV no dia da final. Em 2004, nem isso. Em 2005, meu professor de jornalismo Jean Wyllys estava participando então voltei a assistir. Depois disso, BBB era só um som de fundo.

Então chegou 2015 e a Primavera das Mulheres. Fomos as ruas lutar por nossos direitos. Marchamos contra a corrupção. Simone de Beauvoir e o tema feminismo fizeram lindo no Enem. Tivemos sucesso com a #primeiroassédio. Popularizamos os termos “empoderamento” e “sororidade”. Nós estamos ganhando um espaço cada vez maior.

O Master Chef Júnior, da Band, teve seu momento nos holofotes quando aconteceu a polêmica com a Valentina. É claro que a Rede Globo sabia que a opinião pública iria cair matando em cima do Brother. Não seja ingênuo de achar o contrário.

Agora vem o ápice do programa que está só no começo!

O paredão da semana é entre o Laércio e a Ana Paula, a moça que o acusou de pedófilo e o mandou vestir uma roupa.

A Sister Ana Paula é a mesma que deu uma declaração dizendo que o mundo deveria ser machista: “Sou machista. Feminista é quem quer revolução das mulheres, direitos iguais. Eu não estou atrás disso não, de jeito nenhum”.

Acho bem provável que ela seja a eliminada da semana: é mais fácil para a Produção gerar polêmica e criar visibilidade para o programa com o Laércio na casa.

Não existe “machismo”. Existe machismo, sem aspas.

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O Facebook tem algo que eles chamam de Padrões de Comunidade. É uma diretriz básica de como espera-se que seus usuários utilizem a rede social. Entre essas diretrizes, existe uma sobre Bullying e Assédio, que diz:

Bullying e assédio: como lidamos com o bullying e o assédio?

Não toleramos bullying ou assédio. Permitimos que os usuários falem livremente sobre assuntos e pessoas de interesse público, mas removemos conteúdos que pareçam atacar propositalmente indivíduos privados com a intenção de constrangê-los ou humilhá-los. Esses conteúdos incluem, mas não se limitam a:

  • Páginas que identificam e humilham indivíduos privados,
  • Imagens alteradas para humilhar indivíduos privados,
  • Fotos ou vídeos de bullying físico publicados para humilhar a vítima,
  • Compartilhamento de informações pessoais para chantagear ou assediar as pessoas, e
  • Solicitações de amizade ou mensagens indesejadas enviadas repetidamente.

Definimos indivíduos privados como pessoas que não receberam atenção da mídia nem interesse do público em consequência de suas ações ou de uma profissão pública.

(Leia na integra.)

O próprio Mark Zumckerberg já se pronunciou algumas vezes sobre o assunto dizendo que posts com conteúdo que violam a política de comunidade da página são terminantemente deletados.

Seria lindo, se fosse verdade.

Não é nenhuma novidade que as redes sociais são palco para o linchamento pessoal. Seja de famosos ou de anônimos. Mas o que será que acontece quando um usuário denuncia um comentário considerado assédio moral ou bullying à administração do Facebook?

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É isso que acontece.

Deixa eu voltar a história para o inicio e explicar melhor.

A BBC Brasil fez um artigo falando sobre os absurdos dos cartões de Natal personalizados dos Americanos. Na chamada, lia-se:

Armas, ‘machismo’ e sexo: veja os cartões de Natal que chocaram a internet em 2015

Leia o artigo completo.
Leia o artigo completo.

Eu, como boa megera, não perdi tempo e comentei:

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Imediatamente veio um rapazinho e respondeu meu comentário com um “Só podia ser gorda”.

Quando eu era adolescente, eu aprendi que gritar ou partir para as ofensas pessoais são uma prova de que você além de não ter argumentos para responder, é um ser desprovido de inteligência. E como com pessoas desprovidas de inteligência não existe possibilidade de diálogo, eu fiz a única coisa que eu poderia fazer nessa situação: denunciei o comentário ao Facebook e bloqueei o rapazinho para que eu não visse mais nada que ele postasse.

A resposta da minha denuncia não demorou nem 2 horas e vocês já sabem o que ela disse: ele não violou os termos da comunidade. Não havia discurso de ódio ou bullying naquele comentário.

Logo, logo, diversos outros usuários responderam meu comentário. Nenhuma surpresa no que li:

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Que lição eu tirei disso? Que o Facebook não cumpre o que promete. Afinal de contas, o que ali aparece é apenas mais um reflexo de nossa sociedade e nossa sociedade é machista e preconceituosa.

Mas tem outra lição: se o feminismo não estivesse incomodando, obrigando as pessoas a pensarem e mudarem sua forma de encarar o mundo, ninguém teria se dado ao trabalho de responder e meu comentário teria passado despercebido. A BBC Brasil, apesar de seus artigos superficiais e de sempre cometer gafes como essa, se retratou – pelo menos no meu comentário. Os homens que comentaram com machismo, bom, só posso dizer, queridos, que vocês perderiam qualquer teste sobre sua real masculinidade. Ser homem é entender que vocês são iguais à nós, mulheres. O machismo como forma de se impor faz de vocês apenas meninos, crianças. E todo mundo que criança precisa ser educada.

À BBC Brasil cabe a responsabilidade por não só permitir como também incentivar tais comentários. Usar uma palavra entre aspas nesse contexto significa ironia. E como eu disse, não existe “machismo”. Quem diz “machismo” (entre aspas) são os humoristas que fazem piada sobre agressão à mulher. A BBC Brasil errou feio!

O Ridículo Estatuto da Família

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Foi aprovado ontem, por uma Comissão Especial, o Estatuto da Família que diz que família é apenas a união entre um homem e uma mulher. Dos 17 Deputados que votaram, pasmem: apenas 5 foram contra o projeto! Esses 5 Deputados agora estão se mobilizando para que o texto, que não passou pelo Câmara do Deputados, seja votado no Plenário. Para isso, é preciso que 10% dos Deputados (ou seja, 51 membros) seja a favor que a votação aconteça na Câmara.

A Comissão Especial que votou no projeto ontem é formada em sua maioria pela bancada evangélica, tendo o Marcos Feliciano como Vice-Presidente dessa comissão.

(Pausa para digerir essa informação).

Esse Estatuto é uma vergonha! Diz o autor do projeto, o Deputado paranaense do PHS Diego Garcia que “relações de afeto” não pode ser a base para decidir o que é uma família. Sim, de fato. Porque todos os relacionamentos homem-mulher são saudáveis, cheios de amor e respeito (se você não percebeu, isso for sarcasmo!).

Enquanto os cartórios são obrigados por lei a realizar os casamentos homoafetivos, nossos Deputados resolvem que eles não podem constituir uma família? Isso é um retrocesso aos direitos humanos. É um retrocesso ao país! Quando será que acontecerá de fato a separação do Estado e da Igreja? Porque esse projeto é embasado 100% nas crenças da bancada evangélica.

O que eu espero, sinceramente, é que quando o projeto for votado no Senado ele seja negado. E que, se acontecer a catástrofe dele ser aprovado, que nossa Presidente use seu poder de veto.

O que eu queria mesmo agora era ver uma epidemia de arco-íris nas Redes Sociais. Para mostrar a esses senhores que o povo é mais forte e que tem, sim, voz. Porque o direito de casar e de constituir uma família deveria ser de todos.

Quero, sinceramente, ter um momento de orgulho de ser brasileira. Porque, agora, está bem difícil.