Setembro Amarelo

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Pode o suicídio ser uma escolha quando ele é a única escolha disponível?

Encarar a própria vulnerabilidade e se colocar no lugar de quem faz o impensável é um desafio. Quando pensamos no suicídio, tendemos a racionalizar e nos afastar do estado mental de uma pessoa que tira a própria vida.

Como poderia o suicídio ser a única alternativa? Muitas vezes, preso na bruma do desespero, não é possível enxergar nenhuma alternativa que não seja “deixar de existir”. E quão desconfortável é se deparar com um momento em que não vemos nenhuma alternativa para sair de uma situação extrema de dor (física, psicológica ou as duas).

É por isso que movimentos como o Setembro Amarelo são tão importantes. A melhor maneira de ajudar um suicida em potencial é lançar luz sobre o assunto.

O suicídio é um problema de saúde pública mundial e estima-se que mais de 800 mil pessoas se matem todos os anos. No Brasil, são 33 suicídios por dia: 1 suicídio a mais ou menos cada 43 minutos!

A Depressão, o Estresse Pós-Traumático e Transtorno Bipolar são os transtornos mentais que mais se relacionam com o suicídio. Mas seria errado presumir que todas as pessoas que sofrem desses transtornos têm intenções suicidas: 90% dos suicídios foram cometidos por pessoas que possuíam algum transtorno mental, mas apenas 2% das pessoas diagnosticadas com transtornos mentais cometem suicídio.

Outra relação feita é que é mais comum o suicídio ocorrer em países mais ricos, entre homens e entre pessoas mais velhas. Porém essa também é a principal causa de morte no mundo entre meninas de 15 a 19 anos. Pessoas com histórico de abuso físico, psicológico ou sexual e pessoas que pertencem a grupos discriminados também são fatores de risco ao suicídio.

O diagnóstico de um suicida em potencial é mais complicado do que possa parecer. Pelo menos a um leigo. Mas existem sinais que podem nos ajudar a identificar.

O mais obvio é que pessoas que têm a intenção suicida irão falar sobre isso. Elas irão dizer que estão “cansadas de tentar”, que “precisam pôr um fim nisso”, que “vão desistir”. E o que precisamos parar de dizer urgente é que “é drama”. Muitas vezes é um pedido de ajuda ou um aviso que deve ser levado a sério.

A primeira coisa que precisamos entender para ajudar um suicida em potencial é que a elasticidade de nossa percepção impacta diretamente a nossa saúde mental. Quer tenhamos algum transtorno mental ou não, nossas escolhas serão definidas por quão expendida ou contraída a nossa percepção se encontra. Num momento de dor ou de trauma, nossa percepção contrai-se apenas aquele momento. Não existe a possibilidade de pensar a longo prazo. O que importa é o aqui e o agora. O que importar é pôr um fim na dor.

Nesse momento de dor intensa, racionalizar o que a pessoa está sentindo não ajuda. O que irá ajudar é ter empatia, acolher a pessoa em sua dor, ouvir sem julgar e estar presente. Outro ponto importante é procurar a ajuda profissional.

Pesquisando para escrever esse post, me deparei com o depoimento de Mark Henick, que quando garoto tentou se matar diversas vezes, sendo resgatado por professores na escola e até por estranhos na rua. Seu depoimento é impactante, mas uma frase se destacou (além da primeira frase desse post, que é dele): “só mais um dia. Eu consegui passar por hoje. Talvez consiga só mais um dia”.

Essa era a frase que ele repetia para si mesmo quando tentava se convencer a não tirar a própria vida. E sabe o que ajudou Mark a desistir de se matar e viver? Falar sobre o assunto.

Então, se você pensa em cometer suicídio ou conhece alguém pense, fale sobre o assunto. Sem julgamento e sem medo. Conversar ajuda a não nos sentirmos sozinhos.

E se não tiver ninguém com quem se sinta à vontade, o Centro de Valorização da Vida conta com pessoal especializado para ouvir e aconselhar. Ligue 141 ou acesse o site deles aqui.